O que é um escritor, senão alguém ávido para falar, para expor algo?
Hoje quero falar sobre o amor, sobre um amontoado de coisas que estão relacionadas diretamente a ele.
Bem-vindos (as) a um punhado de percepções apreendidas numa dessas visitas aos meus avós. Tenho um tanto para contar para vocês, compártilhar...Se estiverem a fim de permanecerem, eu agradeço...
A vida é cheia de ensinamentos. Esses dias minha vó teve que passar por uma cirurgia no olho por conta da catarata. Pelo que ouvi dizer é um procedimento simples e a recuperação é tranquila. Mas, como qualquer outra cirurgia, exige cuidados e muito repouso do paciente operado.Então eu fui dormir em sua casa para passar um tempinho com ela. Antes de dormir, porém, algo me chamou a atenção: o cuidado do meu avô para com ela!!!
Caros leitores (as), que coisa mais linda a preocupação dele, o seu cuidado. O engraçado de tudo é que ele também se queixava de uma dor na coluna quando foi deitar, o que, por sua vez, despertou a preocupação dela. Antes de mais nada vale lembrar aqui sobre uma característica que meu avô não possui: reclamão! Logo, se reclamara,foi porque de fato a dor o incomodou.
Enquanto isso, eu ali, em outro cômodo da casa, os ouvia e refletia sobre a vida. Sim, meu amigo! Vamos lá. Primeira coisa: não sabemos muito sobre a dita cuja e sempre necessitaremos saber mais. Por exemplo, esse ano eles completarão 50 anos de casados, se Deus quiser. E eu ali admirava como era bonito aquele amor. Eu reconhecia aquilo como um verdadeiro amor!
Sabe a frase que diz que quem ama cuida? É exatamente isso: cuidado! Zelo! Quando a Bíblia diz que Deus é um Deus Zeloso, para em outra parte dizer sobre esse mesmo Deus que Ele é Amor, é porque zelo e amor estão intimamente ligados. Sabe o animalzinho de estimação que você tanto ama e cuida tão bem? Seu primeiro carro? Seu filho? Sua coleção? Seu livro favorito? É mais ou menos por aí...
Também pensava sobre a fragilidade da vida humana, sobre as suas vicissitudes, sobre a efemeridade da vida, sobre cumplicidade... São coisas tão profundas! Ali naquele quarto, eles só tinham um ao outro e acima de qualquer outra pessoa, outra coisa, eles eram um pelo outro, eles tinham uma história em comum, tinham superação, perdão, tristezas, alegrias, conquistas, sofrimentos, eles tinham cumplicidade! Eles se tinham, eram o tudo um do outro, o maior bem que a vida preservara um para o outro. E era isso o que de fato importava, depois de tantas aquisições, naquela etapa de suas vidas, cujos anos que ainda têm por aqui são tão incertos quanto no começo, mas parecem sê-lo ainda mais agora, é verdade!
Parei para me questionar, sobre quais os motivos que os mantiveram juntos por tanto tempo. Como superaram os defeitos um do outro, as dificuldades, os erros? Por que decidiram permanecer, quiseram seguir juntos, não desistiram no primeiro, segundo, décimo, milésimo obstáculo, porque se escolheram por 50 anos? Muitas foram as possíveis respostas para esta questão. Uma delas, inclusive, seria que para a época em que se conheceram, se casaram, as coisas funcionavam assim mesmo! Beleza. Bingo! Tá quente! É mais ou menos por aqui.
Porém, vamos além! Certamente, existe alguma música antiga que você ame muito. Ótimo. Diante disso, podemos afirmar que música boa não tem validade, certo? Ou melhor, nunca envelhece, não perde o significado todo especial para nós porque se passaram os anos. Logo, podemos concluir, que há coisas que não têm prazo, não têm validade, não são descartáveis com o tempo. Ou seja, o hábito antigo de preservar um casamento, de tê-lo como eterno (se nos faz bem, claro!) deve ser mantido.
Para além de tudo isso, foi observando eles ali num momento de fragilidade de ambos, que notei a importância do outro nas nossas vidas! Deus é excelso em sabedoria. Deus dá pessoas de presente a outras. E presente de Deus não é qualquer coisa. Nós, sendo maus, sabemos dar boas coisas aos nossos filhos, que dirá o Senhor Deus! Além disso, esse é o tipo de presente que nunca podemos nos desfazer. Afinal, as pessoas não são descartáveis!
Verdadeiramente, não é bom vivermos só! Não só para termos uma companhia, um ajudador na velhice. Mas, que diferença há entre pagarmos alguém para que cuide de nós e termos alguém que está ali por amor, porque dividiu a vida conosco, momentos bons e maus e é muito cúmplice nosso para não estar ao nosso lado em qualquer momento!
É um "tamo junto" do fundo da alma! De arrepiar!!!
E isso é lindo, é aprazível, louvável, desejável...