sábado, 26 de outubro de 2013

Na rua olhei e vi
Homens bem vestidos passarem por mim
Mulheres com salto alto desfilarem
Veículos buzinando
Pássaros voando e pousando nos fios de alta tensão da grande cidade
No olhar guardei a vida deste dia
e na memória devo levá-la
Desconhecido sou desta sociedade de aparências
Porque não apareço
Mal sou visto por mim mesmo
Não me deram espelhos e também não os pude comprar
Os meus olhos e os das pessoas alheias são os espelhos que tenho tido contato ultimamente
Não sei como vim parar aqui e nem se daqui vou sair
Vou e volto ao mesmo lugar
Acho mesmo que encontrei um abrigo, um lar
Talvez seja a rua a minha casa!
A minha escola também
Agora fecho os olhos para este mundo
Vou dormir
Quem sabe eu acorde e contemple pessoas mais próximas a mim
Que ao invés de passarem, fiquem
Que ao invés de não me olharem, me levem
Que ao invés de um trocado, eu ganhe um abraço
Que uma família me acolha, porque se a rua for o nosso lar
Que lar perfeito será!

Ane Alencar


É quando a voz se cala
que a alma,inquieta,grita
E o riso poderia ser mais vivo...
Tênue luta pela sobrevivência!
Mergulhado em lágrimas,os olhos brilham na escuridão.
E na alva,o sol os faz brilhar mais um tanto,
Escondendo o verdadeiro encanto.
A beleza que combina olhos e boca,
Sorriso e olhar!
E o coração concorda no seu lugar.
Quando isso acontece:
Dá vida e luz ao corpo
Ao andar dá seu regozijo
E andando parece dançar em harmonia com o ritmo de seus sonhos
Atropelando as tristeza
Só interessa o Amor que se lembra
Da memória não sai
Dado as mãos caminham
Dançam e bailam no salão, na rua, na estação...
Não se importa com os juízes informais
É assim que deveria ser, mas os mistérios recônditos no outro
Dão pausa a isto
Você até espera
Só não sabe até quando vai esperar
Decidida,espera estar um dia
Para outra vez mostrar seu canto
Como pássaro livre
Na liberdade deste encanto!

Ane Alencar