sábado, 26 de outubro de 2013

Na rua olhei e vi
Homens bem vestidos passarem por mim
Mulheres com salto alto desfilarem
Veículos buzinando
Pássaros voando e pousando nos fios de alta tensão da grande cidade
No olhar guardei a vida deste dia
e na memória devo levá-la
Desconhecido sou desta sociedade de aparências
Porque não apareço
Mal sou visto por mim mesmo
Não me deram espelhos e também não os pude comprar
Os meus olhos e os das pessoas alheias são os espelhos que tenho tido contato ultimamente
Não sei como vim parar aqui e nem se daqui vou sair
Vou e volto ao mesmo lugar
Acho mesmo que encontrei um abrigo, um lar
Talvez seja a rua a minha casa!
A minha escola também
Agora fecho os olhos para este mundo
Vou dormir
Quem sabe eu acorde e contemple pessoas mais próximas a mim
Que ao invés de passarem, fiquem
Que ao invés de não me olharem, me levem
Que ao invés de um trocado, eu ganhe um abraço
Que uma família me acolha, porque se a rua for o nosso lar
Que lar perfeito será!

Ane Alencar


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