Quando se escreve algo
Coloca-se o espírito em sintonia com a matéria
Tenta-se trazer para fora de si
Aquilo que julga importante ser lido
Aquilo que se deseja compartilhar ou mesmo reservar para si
Um escritor tem consigo a sensibilidade intrínseca
De notar o que poucos conseguem capturar da vida
Consegue ler as entrelinhas de um romance, de um cenário, de um objeto
Interpreta com ousadia e corajosamente sorrisos, olhares, mãos dadas
Dá significação às coisas e seres
Autentica o que quiser
Imprime-lhes suas percepções a respeito
Faz reflexões e introspecções
Emociona, questiona, leva a pensar, gera a dúvida, reaviva sentimentos, colore, descolore
Um escritor tem alma nobre
Tem alma ousada
Tem alma corajosa
Tem uma alma aprendiz
Alma que diz, anuncia, grita, escancara, denuncia
Tem voz, tem coração, olhos, ouvidos, tem mãos e nelas dedos
Um escritor é poeta
Sua sensibilidade é visível, não se pode escondê-la
E nem há mister disso
Faz-se notória
Nada discreta
Apaixona os leitores, enraivece outros
Mas um escritor escreve e seu compromisso é com a escrita
Seu compromisso é com sua alma inquieta
De um escritor
De um fazedor daquilo que agradando ou não é seu
Aí reside toda beleza de seus escritos
Suas produções vêm de dentro
Têm a essência
E o que interessa se não esta outra?!
Interessa-lhe a vida e tudo que nela há
O escritor vive quando escreve e revive outras vidas
Reaviva quem ler o que rabisca, digita
Ah,
Um escritor...

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